Corrige o teu comportamento com base no que o teu treinador te diz e, se por mérito próprio ganhares, não relaxes: no próximo fim de semana há competição e o teu adversário vai aparecer mais forte! Tendo por base dados científicos que demonstram que o ser humano precisa de cerca de 10 mil horas de prática para ser um expert na sua área de especialidade, que contexto melhor que o Desporto para desenvolver, diariamente desde cedo, valores como a pontualidade, o respeito, o rigor, a cooperação, a competição, a ética e a humildade?
Seja no voleibol, na esgrima ou no atletismo, por intermédio do desporto escolar, das aulas de educação física ou do desporto associativo, a prática desportiva pode e deve constituir-se como um pilar da sociedade. Mas não está a a ser. Em Portugal não existe verdadeiramente uma cultura desportiva (mas sim uma cultura clubística). Ou porque os pais não estão sensibilizados para esta realidade, ou porque os políticos não desenham medidas políticas de sinergia entre a educação e o desporto, ou simplesmente porque os exemplos que vemos na televisão não são os melhores.
Num estudo recente da Comissão Europeia, 64% do adultos portugueses indica não praticar qualquer tipo de atividade física. Além das consequências acima indicadas, os custos da inatividade física em termos de saúde são muito elevados, levando a doenças, como a obesidade, e conduzindo a uma produtividade laboral mais baixa. (...)
E os pais dos atletas do desporto associativo, que são o verdadeiro pilar do sistema desportivo em Portugal (embora não formalmente reconhecidos), são também algumas vezes vítimas da ausência de cultura desportiva. Por consequência verifica-se por vezes que colocam exageradas expectativas no rendimento desportivo dos seus filhos, sendo totalmente incapazes de assistir a uma competição e disfrutar da alegria que estes sentem. Alguns assumem-se inclusive treinadores de bancada, pressionando os filhos e contradizendo diretrizes específicas dos treinadores. Outros, não entendendo os benefícios do desporto tendem a castigar os filhos com más notas, não os deixando ir aos treinos. Interessante é verificar que a investigação científica demonstra que os alunos obtém melhores notas na escola, são aqueles com melhore índices de aptidão física e coordenação motora. A justificação para este facto baseia-se no maior volume estrutural cerebral que as crianças mais aptas fisicamente apresentam.
Este texto não é meu, mas revejo-me na íntegra com todo o seu conteúdo.
Autor: Paulo Nuno
Vieira, Professor Auxiliar da Universidade Europeia