sábado, 3 de setembro de 2016

De quem são os sonhos?

No início de cada época aparecem sempre crianças/jovens candidatos a atletas de futebol.
- Porque aparecem?
- Qual foi a motivação para jogarem futebol?

As respostas são muito similares: "gosta da bola", "precisa de fazer um desporto colectivo por indicação do médico, do professor...", "precisa de fazer uma atividade física".

Até aqui tudo bem, até que começam os treinos, os jogos e vemos que estas respostas foram adulteradas...
Em muitos casos os miúdos vêm jogar o sonho de alguém e não conseguem perceber como é que aquele sonho foi esquematizado... começam a ficar confusos com tudo o que ouvem..."acorda pá, tas a dormir", "é para isto que ando a pagar?"....e muitas outros conteúdos de cariz obsceno.
¤ Deixem as crianças em primeiro de tudo experimentarem e terem a capacidade de decidir se gostam ou não de futebol.
¤ Deixem-nas divertirem-se...rirem das asneiras que fazem.
¤ Deixem-nas crescer, com os joelhos esmurrados, com as próprias decisões (orientadas).
¤ Deixem-nas ser felizes.
O sonho de termos um CR ou um Messi em casa é possível, basta ligarmos a televisão e eles estão lá...
Imaginem se todos os atletas que praticam uma qualquer modalidade fossem CRs, Telmas Monteiro... era bonito...mas quase impossível!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Pensem nisto !!!

No futebol todos queremos ganhar é verdade. Mas para uns ganharem outros perdem...ou empatam já sei.

No futebol de formação é importante desde muito cedo, ser ensinado o "fair play", o que é, que atitudes é que o definem.

São urgentes atitudes positivas!
São urgentes comportamentos proativos!!!

No futebol da formação já vi e assisti a um pouco de tudo: Adeptos a incentivarem a agressividade física durante o jogo (não esquecendo a verbal, esta quase uma característica comum), já ouvi adeptos a gritarem "pede desculpa". Efetivamente o mundo do futebol é vasto em comportamentos positivos e negativos.

Claro está que os que mais me chocam são os negativos. E ainda mais surpreendente é ouvir que "eles têm de aprender"... aprender o quê meus senhores? a serem rufias, atletas sem carácter, rotulados de indisciplinados?? Fazem-me confusão este tipo de verbalizações.

Não me digam que o futebol é assim... não, não é...vocês é que o fazem assim.

Imaginem uma equipa, e nela o/a vosso(a) filho(a), acabaram de levar uma goleada, o que preferiam ver?
- A equipa vencedora a encorajar o/a vosso(a) filho(a)?
- A equipa vencedora a humilhar o/a vosso(a) filho(a)?

Muitos provavelmente escolherão a primeira hipótese e ainda bem. Mas uma parte dir-me-ia que se tal acontecesse e o/a filho(a) não desse logo uma chapada nas trombas do adversário estava "tramado" (o termo aqui seria outro, ma vá, vamos com educação).

E se fosse o contrário? A equipa do(a) vosso(a) filho(a) ganhava e no final do jogo encorajava os outros atletas? - Uiiii isto é que é uma equipa, sois grandes putos, muito bem. E provavelmente ouvir-se-iam aplausos...É bonito não é? - claro que sim, mas não apenas quando somos vencedores, quando somos vencidos, devemo-nos permitir a que nos encorajem, que nos abracem e nos digam que no próximo jogo será bem melhor.

Os nossos filhos são os maiores é verdade, neles queremos os melhores comportamentos e atitudes, mas os pais de todos os filhos pensam exatamente o mesmo!!!

Pensem nisto!



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Os atletas precisam de uma psicóloga?

Esta foi provavelmente a pergunta que mais se fez no início? Esta e outras "- mas aqui há atletas com problemas mentais?"

Pois é, uma psicóloga ou um psicólogo num clube, não é sinónimo de que hajam limitações mentais por parte dos seus intervenientes ... nada disso. Contudo também as pode haver, mas isso é outro assunto.

O papel da psicóloga de ténis ou sapatilhas não é uma modernice, nem um capricho dos clubes, organizações, federações e/ou de todos os que a requisitam.

Como digo muitas vezes: "O facto de um(a) psicólogo(a) vestir um fato de treino (e calçar ténis), não é sinónimo, nem pretensão em substituir o treinador, nem lhe retirar o protagonismo" .

O nosso trabalho, permitam-me que assim o faça na 1ª pessoa do plural, é apenas um complemento/suplemento a todo o trabalho desenvolvido, ou que se pretende desenvolver.

É muito comum ouvirmos quer nos clubes em que temos maior proximidade, quer nos grandes clubes e/ou modalidades, que o atleta esteve desmotivado, desconcentrado, que a ansiedade não o deixou brilhar ... e um infindável rol de frases.
- Pois muito bem, é aqui que nós entramos. Já alguém se questionou sobre o que é estar concentrado?, como é que isso se faz? Principalmente num campo de futebol em que os distratores são por si mais do que muitos: é a bancada cheia de adeptos, é a namorada que vai ver o jogo, são todos aqueles adeptos chatos que nada mais fazem do que barulho... É deveras difícil saber como é possível nos concentrarmos num ambiente ruidoso como este!!

Esta é uma das nossas tarefas, dotar os atletas de todo um conjunto de ferramentas que lhes possibilitem desenvolver/perceber a concentração e usa-las quer no contexto de treino/jogo, quer em situações do dia-a-dia.

Se por exemplo num dia de sol vos pedirem o seguinte: Senta-te à beira mar e concentra-te única e exclusivamente no som e na cor do mar. Provavelmente nos primeiros segundos vamos olhar para o mar e tentar ouvir o seu barulho. Mas ó que chatice ouve-se o homem das bolas de berlim, lá se vai o nosso foco, ui ainda por cima o homem das bolas de berlim é "super giro"... provavelmente, vamos segui-lo durante alguns instantes, vamos pensar em mil e uma coisas, suspirar pela bola de berlim ... e só depois é que afinal nos lembramos que estamos ali para observar o mar, a sua cor e o seu som... ,
Este é apenas um pequeno exemplo, do quão difícil é concentrar ... É uma tarefa difícil, mas possível, manter um atleta concentrado uma grande parte do treino/jogo, mas isto requer treino, treino, treino....e mais treino mental.

Estão a gostar? Eu estou ...

Trabalhamos toda uma panóplia de temas que os vão tornar sem dúvida em atletas mentalmente mais fortes e seres humanos mais bem sucedidos.

Em breve há mais....

Na santa terrinha uma mulher no futebol

Quando me refiro a "santa terrinha" não é de todo com conotação negativa. Apenas num meio rural, pequeno, em que a dominância neste contexto futebolístico é predominantemente masculina, acredito e sei que causou estranheza!
Sim até a minha mãe chegou a comentar "- Ó rapariga para o que te havia de dar", mal sabia ela o tempo e a dedicação que iria dispensar a este Clube.

"-Ui...quem é esta?", sim porque apesar de morar na mesma freguesia do Clube, poucos eram o que me conheciam e o inverso era recíproco.
A primeira impressão criada a meu respeito, é que tenho a mania, tenho o nariz empinado (o que não tenho, tenho um pequeno desvio, mas nada que o empine) e uma catrefada de adjetivos que não me apetece enumerá-los...ma que foi interessante, ai isso foi :)

Disseram-me para ir com calma....a mim pedirem-me calma!!!! Eu com os meus níveis de adrenalina no máximo, queria trabalhar, queria aprender, queria agitar mentes... Fui extremamente bem recebida pelo Clube, desde o seu Presidente, ao diretores, treinadores e atletas (claro está que não agrado a todos, mas ainda bem...). À medida que comecei a entrar devagarinho no Clube, fui criando laços com pais, atletas, treinadores diretores, com adeptos....e isto não é bom????? - É Fantástico!!!!

Gosto muito dos meus atletas! Calma aí treinadores, os estou a captar para uma equipa...mas também os sinto um pouco meus. Dizem piadas, acham a doutora fixe... e isso é muito bom!!!


sábado, 20 de agosto de 2016

O desconhecido gosto...

Tudo começou há cerca de dois anos.
Nunca...mas é que nunca me tinha imaginado num campo de futebol. A ouvir um absurdo de comentários, de palavrões, de insultos ... era um ambiente não selecionado. Esta minha estranheza pelo gosto ao futebol durou cerca de 9 anos ... até que não pude mais argumentar, e à que deixar experimentar e ver como a "coisa" funciona".
Lá foram os meus filhos para o futebol, para todo aquele cenário criado na minha mente, mas que não é de todo tão diferente do que havia imaginado.
Os meus filhos aprendem/jogam futebol como disse à cerca de dois anos... e definitivamente foi a partir daí que o "bicho" começou a acordar, e também desde então, também eu me rendi ao futebol.

E efetivamente troquei os saltos altos pelos ténis... e sem dúvida que os último são bem mais confortáveis.